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quinta-feira, 24 de julho de 2014

Insônia

Perseguindo o medo para fugir do vazio
No escuro, começo a noite em claro
aguardando angustiado a quebra de um silêncio conturbado
de uma mente doente que ainda não dormiu

Me recolho ao quarto, me deito
E a sombra me cerca novamente no leito
Ao quarto retorno. Um sono desfeito

Me levanto, caminho. No silêncio, grito sozinho
Grilhões do devaneio e da corrupção
O que seria da vida sem a fantasia, a fuga e a utopia
pelas quais abro os olhos todos os dias
Minha insanidade é o que me mantém são

Desperto. Não percebi que havia adormecido
e percebo a sensação imediatamente
Uma ironia. Um bom sono como se fora proibido
Dessa vez fui poupado dos pesadelos frequentes

Que querem de mim, meus demônios?
O que os invocou e por que só hoje se calaram?
Não me atrevo a me perguntar
Mas sinto o alívio, e aproveito
pois sei que sabem onde é meu leito
E que logo voltarão a me atormentar.

(Lucas Vasconcelos)


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