No escuro, começo a noite em claro
aguardando angustiado a quebra de um silêncio conturbado
de uma mente doente que ainda não dormiu
Me recolho ao quarto, me deito
E a sombra me cerca novamente no leito
Ao quarto retorno. Um sono desfeito
Me levanto, caminho. No silêncio, grito sozinho
Grilhões do devaneio e da corrupção
O que seria da vida sem a fantasia, a fuga e a utopia
pelas quais abro os olhos todos os dias
Minha insanidade é o que me mantém são
Desperto. Não percebi que havia adormecido
e percebo a sensação imediatamente
Uma ironia. Um bom sono como se fora proibido
Dessa vez fui poupado dos pesadelos frequentes
Que querem de mim, meus demônios?
O que os invocou e por que só hoje se calaram?
Não me atrevo a me perguntar
Mas sinto o alívio, e aproveito
pois sei que sabem onde é meu leito
E que logo voltarão a me atormentar.
(Lucas Vasconcelos)

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