No quarto escuro, uma vela iluminava poucos metros ao seu redor, enquanto sua chama dançava soprada pela brisa fria de uma janela aberta. A luz da lua cheia penetrava precariamente pelas nuvens escuras que a cobriam.
Olhando para fora, podia ver o mundo no qual habitam, dominado pela ganância e pelo egoísmo. Podia ver os altos prédios dos escritórios onde trabalhavam rasgarem o céu acinzentado, que chorava lágrimas delicadas e frias, num último suspiro, implorando pela piedade dos homens, que nunca virá. Meu corpo pertence a este mundo, e minha alma, neste corpo aprisionada.
Desejei e tentei concedê-la o seu desejo de libertar-se. Mas como as lágrimas derramadas pelo céu enegrecido, o sangue também roga mudo e impotente, por um desejo mórbido de uma liberdade utópica, e inalcançável. Sozinho, tudo o que me restara era imitar aquele céu melancólico, e chorar a dor de ser uma alma morta, condenada a estar viva.

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